HISTÓRIAS

Cada um na sua e sempre juntos ! Relatos Ninjas 2015- Fabiano e Rafa Ela !

RAFA ELA

Sábado, 01 de agosto de 2015. Treviso /SC

10:40 a.m.: Estamos eu e Fabiano no Congresso Técnico da Maratona UpHill.

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Ao meu redor atletas de muitos cantos do país, sorridentes e ansiosos contam os instantes para enfrentarem a serra!

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” Podemos largar agora? ” diz um próximo a mim. Outros tantos encontram-se para se conhecer e reconhecer; afinal já se falam há meses em redes sociais, são rostos conhecidos de outros quilômetros.

Fiquei pensando nas histórias que cada um ali carregava. O que tinham vivido para chegar naquele instante exato…Como já não ouvia mais as orientações da prova há algum tempo, comecei a lembrar da história nossa, que chamamos de Projeto Maratona UpHill. Não, eu não sou uma Ninja Runner. Hoje acho que posso me considerar “Testemunha de Ninja”.

 

Rafa Ela 1
Eu corro sim, mas em percursos bem menores do que a maratona. Costumo dizer que me aventuro: na corrida, no pedal, nas luvas de boxe.

Rafa Ela 5
Enfim, o Ninja neste caso chama-se Fabiano – meu marido. O fato é que topei acompanhar a trajetória. Treinamos. Muito. E cada cena passou na minha cabeça naquele momento.

Sob a orientação do nosso amigo Nescau (excedeu a relação treinador-aluno), o Ninja lá de casa passou a cumprir suas planilhas. Foram muitos kms rodados na Serra da Graciosa/PR, em parques de Curitiba, na Colônia Murici/ Malhada…
Tantas vezes fui de bike, noutras de carro. Comigo levava carbogel, água, isotônico, bala de banana, paçoca, coca-cola…levava o sonho, a motivação, a alegria.

Rafa ela bike
Junto com o corta-vento, a luva e a touca oferecia ao atleta a crença da conquista. Enfrentamos chuva, frio, calor, mosquitos, cachorros, dores, lesões.Encontramos, cativamos e cultivamos centenas de amigos nesses quilômetros.

Nos treinos onde não estive junto – afinal eu tinha meu treino pra fazer – também pude ser apoio. “Whatsapp motivacional”!!

Com o tempo, ganhei o título de “Personal Terrorista”: Como o coach estava em outra cidade, alguém precisava ficar de olho no Ninja! Sobretudo na vontade de burlar planilha, rodando mais kms e na musculação. “Quando você vem comigo na musculação é sugado” – dizia ele enquanto eu sorria.

Lá íamos nós, sábados e domingos de madrugada, pra mais um treino. Bandeira #vaiFabiano no carro e certeza de diversão. Só um parêntese: A bandeira foi uma surpresa, feita com auxílio de uma amiga, pra atrapalhar menos o trânsito na serra e motivar durante uma lesão.

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Nas minhas lembranças, escuto o organizador do evento chamando a galera pra ver o vídeo do “Sapo”. Na agitação de todos vejo o ouriçar de pelos no braço do Fabiano. Tudo à flor da pele.

14:20 p.m.: Me despeço do Ninja no Ginásio de Treviso. O acesso à Serra seria fechado as 15h o que significava que eu perderia a largada. Soube que apoio de bike era permitido, mas a minha magrela estava à 500 km de distância… ” Ano que vem não perco!” pensei eu. O que dizer nessa hora?
Desejei que confiasse em si mesmo, que olhasse ao redor e abstraísse quando a dor fosse mais forte, que vocalizasse a dor para dominá-la.

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A chegada à Serra foi apertada, pouco tempo. Nervosismo total. Pensei que quando chegasse nela, no Rio do Rastro, estaria aliviada. Que engano!
Eu não conhecia a Serra, então a cada curva, a cada mudança na elevação minha apreensão aumentava. Não havia dúvida quanto a capacidade dele concluir a prova. Mas confesso que fiquei preocupada com a meta que havia estabelecido. Depois de todo o esforço, dedicação, disciplina, não alcançar o tempo idealizado seria frustrante demais.

Serra+do+Rio+do+Rastro+-+Bom+Jardim+da+Serra+SC

Cheguei ao mirante emocionada. Chorei e fiz uma prece. Com a bandeira na mão, aquela, esperei a chegada do Ninja.

A noite veio de maneira espetacular. A lua, rubra, rabiscada pelo negro das nuvens, parecia ao alcance das mãos. Fiquei de olho no cronômetro. Quando faltavam uns quinze minutos para a marca da nossa meta, senti um impulso forte e fui caminhando em direção à estrada.
Quando faltavam sete ou oito minutos para a nossa meta, avistei as polainas brancas e a camiseta do nosso time: Fabiano fazia a última curva!
Corri até ele, corri com ele alguns metros, balançava a bandeira e gritava: “vem Fabiano, vem que o pórtico tá te esperando”. Ele já estava chorando.

Fabiano MArtins 5

Corri até lá, subi na grade, gritei. A emoção foi indescritível. Tremíamos por dentro e por fora.

Agora Ninja Runner, pra mim sempre Guerreiro!

Rafa Ela (Rafaela Jequetti)

 

FABIANO MARTINS

 

“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”.
Tudo começa em um programa de TV em 2013, ano em que acabava de completar – com muito esforço – minha primeira maratona em Curitiba. Em frente à TV, no canal Off, vejo um documentário de uma corrida muito desafiadora.

UPHILL 2013

O encantamento foi instantâneo, queria estar entre os ninjas em 2014! O desejo ficou adormecido como um dragão que repousa dentro de cada vulcão.
Neste “pace”, fiquei esperando a inscrição de 2014, que por sinal não consegui. Nada aborrece, nada teme um ninja, e o que é divino tem o seu tempo – pensei naquela ocasião.

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Assim, em 2015 mudei a estratégia: mobilizei todos os colegas do setor onde trabalho (8 pessoas) que ficaram em seus computadores e redes sociais, em uma verdadeira missão, para o êxito final – a tão esperada inscrição! O engraçado foi que alguns nem sabiam do que se tratava e após a inscrição concluída tomaram ciência que tinha um maluco entre eles, como eles mesmos disseram.

uphill 2015
Inscrição feita era hora de ver o tamanho do desafio.
Quando nos deparamos com o desafio o medo aparece. Ele, o medo, me acompanhou até o dia 01/08/2015, medo de meu desafio ser maior que eu, e a decepção não teria precedentes, porém quem vive sem se arriscar não vive. Me lembrava sempre de um velho poeta que conheci na infância em uma citação do filme “Sociedade dos Poetas Mortos”: Eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida… expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido.
Os treinos foram duros (mas quem lembra disso agora!!??), porém vou destacar um em especial, que me senti na solidão de quem se depara com seus piores pesadelos.
Uma noite muito fria e gelada, aquela escuridão em um parque de Curitiba, os ventos fortes, fiquei no carro trocando de roupa. Estacionado com uma visão panorâmica do parque pude concluir que estava só.
Sim, só eu em um parque em uma capital do país, congelando. Neste momento peguei o celular e abri o whats, dentre os grupos percebi que era um dia de encontro de amigos e eles postavam fotos se divertindo, bebendo e contando as velhas piadas e passagens, diga-se de passagem adoro aquelas piadas e passagens, no entanto ali percebi que estava sozinho e estaria da mesma forma no dia da corrida.

 

Fabiano MArtins 4
Nada e nem ninguém entre eu e o meu objetivo. Essa imagem é muito clara na minha mente, foi a imagem que me levaria às lágrimas na chegada da prova: eu fazendo tiros de 1.000 metros em um parque da cidade com uma temperatura de 5 graus e vento…sabia que isso envolve um certo grau de loucura.
Bom, passado este breve correr entre a inscrição e a prova tão esperada, não consigo descrever ainda com exatidão os sentimentos de chegar lá. Talvez nem seja possível descrevê-los.

Fabiano MArtins 7

Me lembro que quando comecei a caminhada não conhecia ninguém que tinha feito isso; já nas vésperas do feito conhecia uma legião de insanos no mesmo objetivo.

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Sempre quando vou para as corridas fico muito tenso antes, preciso dessa tensão, vou chamar o “ritual” de concentração. Durante a prova vou me soltando, aproveito a viagem. E que viagem!!! – só de lembrar arrepia.
Que viagem!

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Primeiramente, Treviso: que lugar maravilhoso, um recanto de guerreiros, equilibro entre natureza e paz, com homens e mulheres simples, mistura perfeita, e quando digo simples realço a simplicidade como um adjetivo único, sublime das pessoas que nos acolheram.
Neste clima de concentração e equilíbrio começou a corrida. Segundos antes do início da prova lembrei de várias coisas, mas uma em especial, uma frase do meu pai, seu Antonio. Por ironia ficamos em uma pousada com esse nome, pra lembrar que nunca estive sozinho, mas enfim, a frase dele é marcante dentre as poucas que um nordestino trabalhador com pouco trato com as pessoas pode produzir: “Um homem nunca perde por lutar, lute sempre”.

Fabiano Martins 3
Quando escolhemos essa prova não levamos só nossos corpos para o alto daquela montanha, levamos muito mais, levamos o amor que as pessoas nos dão, o orgulho dos amigos, o carinho de nossas pessoas amadas, e garanto que é isso que nos move até lá, pode perguntar para todos os ninjas. Eu resolvi escolher junto ao meu numeral o nome da minha família MARTINS, porque assim saberia que não estava sozinho.

 

Foi difícil, é só olhar as fotos. Observem as faces de cansaço se contradizerem com a alegria da chegada. Enfim, a alegria sempre vence.
Para mim, o percalço do caminho foi um buraco enorme, no km 31. Mergulhei, literalmente. Após a passada no ar sem encontrar o chão, me vi dentro do buraco até o ombro. Escoriações e o pensamento acelerado: “Como vou sair daqui?”
O que veio depois me fez superar o susto: recebi apoio de dois ninjas que me içaram do buraco e me motivaram a seguir em frente. Sequelas só as melhores para prosseguir. A humildade nessa prova é essencial por que a Serra sempre tenta te colocar de joelhos e seu objetivo nos momentos finais é levantar e seguir.
Dessa forma a viagem seguiu, dei o meu melhor e tentei extrair o melhor do lugar, da paisagem, das pessoas que assistiam a prova e dos amigos que fiz de todo o Brasil.
O resultado dessa prova não está em números ou medalhas, mas sim entre o que somos e o que podemos ser. Resultado alcançado toda vez que nos desafiamos e nos permitimos.
Mas, pra quem gosta de se colocar em lugares, me colocaram na inusitada 27ª colocação. Atingi a meta projetada: SUB4, com tempo líquido de 3h:52m, que confesso, me fez mega feliz.
O que extraí dessa prova, ainda não sei; mas que isso muda qualquer um, isso é certo!

Fabiano MArtins UPHILL 2015 chegada
Enfim, dizem que o que te move é o medo, mas existe muita coisa na Serra do Rio do Rastro. O certo é que lendas são feitas para serem contadas sem saber se é real ou imaginação.
Aproveito para agradecer a todos que tiveram nesse projeto principalmente a Rafaela Jaquetti ( Rafa Ela), ferramenta chave disso tudo.
Anderson Fernando Pereira, treinador e amigo, e os demais amigos que seria injusto citar, pois estão junto comigo desde as corridas da infância.
A Família AF Trainer que não deixa ninguém desanimar, e ao cara lá de cima que colocou essa energia dentro de mim.

Ninja Fabiano Martins

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